Conheça a Moto2: Bimota Hb4


Com o surgimento da categoria Moto2 e término da 250 cc de dois tempos, todos queriam saber qual era a da nova moto. A proposta principal era baratear custo e incentivar o maior número possível de participantes. Com isso, a categoria ganhou motor monomarca, o propulsor fornecido pela Honda, o motor da CBR600RR.

Sua potência foi elevada de 120 cv para casa dos 140 cv e, para ficar o máximo competitiva, todos os motores foram lacrados, impossibilitando qualquer tipo de preparação. Assim, a categoria ficou mais competitiva, porque quem manda não é o dinheiro. Muitas vezes fazer com que uma moto baixe um segundo na pista pode custar milhões de euros, como já disse Piero Canalle, diretor-geral da Bimota.

Com a nova categoria ficou para a equipe o compromisso de construir o conjunto mais perfeito possível, quadro, suspensão, balança e freios. Para o motor, a estrutura libera o desenvolvimento de toda sua eletrônica, a injeção, o módulo e o sistema de escapamento por completo.

Muitas equipes não tão ricas deixavam para aplicar apenas nas etapas europeias do Mundial,  que custava cerca de 1,5 milhão de euros. Com os motores monomarca, o investimento baixou para a casa dos 700 mil euros. Por isso, muitos especialista afirmam que a Moto2 é a categoria de todos os tempos.

A resposta veio de cara com o número de inscrições. Uma semana antes da primeira corrida, 42 pilotos estavam inscritos, ao passo que a milionária MotoGP conta com 17 pilotos.

Viajando para Itália

Na curiosidade de saber mais sobre a Moto2, fomos convidados pela Bimota Brasil para participar dos testes, na Itália, do novo modelo. Embarquei ao lado de Carlos Ludman (Bimota Brasil) e do jovem piloto Otavio Lucchini, uma das promessas do Brasil. Lucchini vai passar um tempo na Europa para algumas seleções de equipes e sonha com uma vaga na Moto2. Atualmente, sua familia investe para fazer com que ele possa ser nosso novo representante brasileiro.

No Brasil, ele foi campeão da categoria 125 cc, do Brasileiro de 250 e o único brasileiro a participar do campeonato Red Bull nos EUA, em que mais de 600 jovens pilotos foram filtrados até 23 serem eleitos para correr por um ano. Vale toda nossa torcida.

A Bimota projetou a HB4, modelo adotado pelas equipes Stop and Go e FB Corse. Não via a hora de sentar na minúscula motoca. Para se ter uma ideia, a moto pesa apenas 135 kg. Já uma CB300R pesa 143 kg. Só que a CB tem 26 cv e a HB4 140 cv. Já da pra se ter uma noção do que podia esperar.

Algo que impressiona bastante é o trabalho de equipe. Além de estarmos testando a moto, eles estavam com seu piloto de testes desenvolvendo o modelo. A cada cinco voltas havia novas relações de marchas, acertos de toda eletrônica e assim por diante. A obsessão por reduzir o tempo vai muito além do que imaginamos.

Levamos a moto para cidade de Adria, onde um autódromo pequeno e com uma estrutura invejável nos esperava. Enquanto esperava a moto entre um teste e outro de Danilo Marrancone, piloto Bimota, tínhamos à disposição nada mais nada menos do que um modelo DB7 Oronero. é uma das maiores preciosidades comercializada pela marca mundialmente, com seu chassi em fibra de carbono, utilizando o motor da Ducati 1198.

Depois de pegar o traçado com a Oronero, era minha vez de experimentar a Moto2. Imaginem a “responsa”, o primeiro brasileiro a pilotar essa moto.

Logo que sai com o modelo na reta dos boxes, apertei o freio forte para a entrada da curva e a estupidez de frenagem foi tanta que precisei “reacelerar” para chegar na curva com a velocidade certa. Eu sabia que seria outra realidade em relação a tudo que já pilotei, a começar pelos pneus slick, proibidos em qualquer outro campeonato de motovelocidade.

Ao entrar na curva fiquei abismado com a agilidade e a agressividade com que ela deita. Ela vai, nesse primeiro estágio, muito além do que qualquer motocicleta esportiva que já tinha pilotado.

O motor é forte, só funciona acima de uns 12.000 rpm, mas não é nada absurdo para quem pilota uma esportiva 1000 cc, mesmo que original. Agora, a velocidade de entrada de curva e principalmente da própria curva é indescritível.

Na pista estavam outras motos, Superbike, Supersport, todas treinando para a corrida do fim de semana. Era como se eu fosse o Valentino Rossi, na reta não tinha mais motor. Porém, a aproximação nas frenagens era tanta que ficava até perigoso, quase acertei a traseira de uma CBR600RR de tão mais rápido que estava.

O pneu adere demais, muito mais do que qualquer pneu esportivo Racing que experimentei. Afirmo que atingi, brincando, uns 30% a mais de velocidade na curva do que eu faria com uma CBR600RR com pneu Street Racing.

Outra coisa impressionante é que quando estamos com pneus Racing sua aderência é tão fantástica que possibilita frenagens moderadas na curva. Mas como são dois discos na ponta de um eixo direcional, ao endurecer temos a sensação de uma barra estabilizadora, que faz com que a moto levante, perdendo a trajetória. Na HB4, é absurdo o quanto podemos frear com a moto inclinada, ela até deita mais.

Outro ponto importante é sobre o quanto podemos acelerar antes, na saída de curva. Dava para acelerar tudo com a moto ainda inclinada. Um excelente teste.

Texto: Leandro Mello

Fonte: Motorsco

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