Dicas Viagem de Moto

Prevenir para não remediar

Há anos não chovia tanto no sudeste, mais precisamente em São Paulo. Para se ter uma ideia, o mês de janeiro de 2010 foi o mais chuvoso em 15 anos, segundo levantamento do Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE) da prefeitura. A chuva acumulada ficou acima dos 419 milímetros. Muitos se perguntam o que quer dizer essa medição, e aí vai a resposta: cada milímetro corresponde a um litro de água por metro quadrado. Mistério resolvido, vamos para o que mais importa, as motos.

Chuva sempre requer uma pilotagem mais segura e o dobro de cuidado. Mas isso é conselho antigo, outros itens também devem receber igual ou maior atenção quando um aguaceiro começa a se formar no horizonte.

Tomás André Santos é consultor em integração de sistemas contábeis, especialista em limpeza e conservação de motocicleta, com mais de 4000 lavagens, e motociclista há mais de 35 anos, enumera alguns itens a serem seguidos.

O início da chuva
Seja fraco ou forte, o início da chuva é o momento mais crítico. Na pista, assim que começa a chover, formam-se misturas de água com resíduos de óleo, combustível e sujeira, que normalmente acabam pingando dos veículos. Essas misturas formam combinações muito perigosas e escorregadias, que comprometem totalmente a aderência dos pneus com o solo, que só será “lavada” pela própria chuva após alguns minutos de dilúvio.

Tome rapidamente suas decisões

É comum quando a chuva começa repensarmos nossa rota, muitas vezes optamos por não continuar com o mesmo trajeto. Decida-se e redefina rapidamente seus objetivos, não fique na dúvida, pois ela poderá gerar uma ansiedade prejudicial às nossas decisões de pilotagem.

Freios e pneus
Cuidado, pois o sistema de freios fica parcialmente comprometido. Existe uma boa redução da eficiência dos componentes do freio com a umidade. Por causa da água, os pneus também perdem parte de sua aderência.

Adversidades
Além dos fatores técnicos e mecânicos, a chuva gera outras condições adversas. Procure não fazer manobras ou freadas bruscas, pois o risco de derrapagem é grande. Se você sentir que a motocicleta está “dançando” um pouco na pista, diminua a velocidade, ela deverá ganhar peso e os pneus voltarão a tocar o solo com mais firmeza.

Visibilidade
Com chuva, procure pilotar de forma bem “burocrática”, ou seja, ande somente na frente e na traseira dos carros, pois dessa forma você se tornará mais visível. Lembre-se que os motoristas, por causa da cortina de água da chuva e dos vidros embaçados, também estarão com dificuldades de visão. Mantenha o farol na “luz alta” o tempo todo, isso irá melhorar um pouco sua visão, e os outros veículos também terão uma boa visibilidade da sua motocicleta. Se estiver em movimento, não ligue o pisca-alerta, esse tipo de iluminação só deve ser acionado se a moto estiver parada.

Alternância entre locais secos e molhados
Um problema muito comum, mas pouco observado e identificado pela maioria dos motociclistas é a alternância entre locais secos e molhados. Fator que ocorre em virtude dos viadutos, das árvores e de marquises avançadas. Esse fenômeno gera uma deficiência da pilotagem. Instintivamente, o piloto acredita que se encontra em um piso com determinada característica, e sem que ele perceba, esse padrão de umidade muda bruscamente e compromete toda a segurança.

Perigos escondidos
Outro problema muito comum em dias de chuvas intensas é que em determinados locais a água sobe mais que o nível do solo e acaba escondendo grandes buracos, que são verdadeiras armadilhas para as motocicletas. Para evitar esse problema, procure sempre transitar pelo local onde a maioria dos veículos e motocicletas está passando.

Capacete e viseira
Na chuva, é necessário abaixar totalmente a viseira, o que normalmente poderá embaçar. Mantenha abertas todas as entradas de ar de seu capacete. Esse é um dos motivos que justificam a utilização de equipamento de boa qualidade e com a viseira totalmente limpa e tratada com produtos antiembaçantes.

 Faixas brancas de sinalização
Um cuidado redobrado deve-se ter com as famosas faixas brancas na pista de sinalização de trânsito. Sem chuva, elas já derrubam muitos motociclistas, com temporais é praticamente impossível se manter sobre elas. Em hipótese alguma transite em alta velocidade no mesmo sentido dessas faixas, em especial nas curvas. Procure sempre cruzá-las, que é mais seguro.

Conservação e qualidade dos pneus
As chuvas são um daqueles momentos que percebemos a verdadeira importância de se adquirir pneus de boa qualidade, e também de não utilizar pneus que já atingiram seu desgaste total. Cuidado também com alguns pneus que são normalmente comercializados como “pneus de chuva”, pois na realidade não são. Estes irão dar uma falsa sensação de segurança.

Não cometa imprudências
Ninguém pode garantir uma conduta segura debaixo de chuva. Existem muitas variáveis a serem analisadas, como o tipo de motocicleta, o piso, a quantidade de água, as condições locais, a forma de condução, entre outras. Se você perceber que sua guerreira não responde perfeitamente aos seus comandos ou se sente inseguro, não pense duas vezes, pare imediatamente, ligue o pisca-alerta, e aguarde a situação do tempo melhorar.

Texto: Tomás André Santos – tasmotos